Cigarro triplica os riscos de doenças oculares graves

Amanhã (29) comemora-se o Dia Nacional de Combate ao Fumo. De acordo com dados do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria de Saúde do DF, cerca de 2.5 mil pessoas morrem por ano nesta Unidade da Federação em virtude dos danos causados pelo cigarro. Dos mais de três milhões de habitantes do DF, aproximadamente 310 mil pessoas são dependentes da nicotina. Mais de 4,7 mil substâncias tóxicas presentes no cigarro são responsáveis por causar ou agravar doenças cardíacas, respiratórias e cânceres. O que muita gente não sabe, é que o vício também traz sérios danos aos olhos.

“Estudos apontam que o tabagismo triplica o risco de incidência catarata e degeneração macular relacionada à idade, duas das doenças que mais causam cegueira no mundo”, explica o oftalmologista HiltonMedeiros, da Clínica de Olhos Dr. João Eugenio. O tabagismo também contribui para o agravamento do glaucoma, outra doença grave que pode levar à perda da visão.

Além de agravar problemas circulatórios, resultando na trombose da retina, por exemplo, o cigarro é um dos principais fatores de risco da Oftalmopatia de Graves. Esta doença está relacionada ao hipertireoidismo que altera a musculatura ao redor dos olhos, projetando-os para fora da órbita, podendo ocasionar até a perda do globo ocular.

Segundo Hilton Medeiros, o tabaco também pode reduzir a acuidade visual. “O fumo produz a ambliopia tabágica, que representa a debilitação do sentido da visão e distorção do ponto de foco visual”, afirma o médico.

A fumaça do cigarro é um irritante que piora os sintomas de olho seco não só para o fumante ativo, mas para o passivo também. Isso causa sintomas que vão desde uma leve irritação dos olhos até lacrimejamento excessivo, queimação, prurido, coceira, entre outros. Essas queixas são mais intensas nos pacientes que fazem uso de lentes de contato, pois os olhos tendem a ficar mais secos. Crianças expostas à fumaça têm risco maior de desenvolver estrabismo e conjuntivite alérgica.

A atenção deve ser redobrada para os diabéticos. A pessoa que já sofre do problema e ainda tem o vício do fumo está mais vulnerável a ter retinopatia diabética e, em consequência, pode ficar cega.

Os danos do tabaco podem aparecer mesmo após muitos anos de abstenção. As doenças oculares relacionadas ao tabaco podem ser incapacitantes e, até mesmo, irreversíveis. A conscientização da população quanto aos riscos do cigarro e as restrições legais têm contribuído para a redução do vício. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de brasileiros maiores de idade que fumam caiu 28% nos últimos oito anos. A quantidade de fumantes passivos em domicílio reduziu de 12,7% para 10,2% de 2009 a 2013, e no trabalho passou de 12,1% a 9,8%.