Câncer nos olhos pode levar à perda do olho e até a morte

Dia 8 de abril é comemorado o Dia Mundial do Combate ao Câncer. Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer no Brasil em 2017. O câncer é a segunda principal causa de morte no país, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Entre os tipos mais devastadores está o câncer ocular, principalmente quando diagnosticado em fases avançadas. Por isso, estar atento aos sintomas e detectar a doença precocemente pode salvar a vida.

Os sintomas mais comuns são dor nos olhos, sombras na vista, pintas pretas na conjuntiva e na íris, flashes luminosos, redução da capacidade visual e pupila branca nas fotos. O tipo mais frequente nos adultos é o melanoma, um tumor maligno que pode atingir diferentes estruturas dos olhos, desde as pálpebras até estruturas internas, como a íris. Outro tipo de tumor é o retinoblastoma, que acomete principalmente crianças. Ambos podem levar à perda total da visão ou do órgão, e até mesmo à morte.

De acordo com o oftalmologista Hilton Medeiros, da Clínica de Olhos Dr. João Eugenio, estar atento aos sintomas e realizar exames oftalmológicos periódicos, podem ajudar a detectar precocemente a ocorrência dessas doenças. “Quanto antes detectar a doença, maiores serão as chances de cura e menor o risco de metástese. No caso do melanoma de coróide, por exemplo, 25% dos pacientes desenvolvem metástase e, destes, quase 100% não sobrevivem”, afirma o médico.

O melanoma ocorre tanto na úvea, porção interna do globo ocular que se compõe da íris, do corpo ciliar e da coróide, como na conjuntiva, membrana que recobre a parte branca do olho e a superfície interna das pálpebras. O diagnóstico é feito por exames que fazem o mapeamento da retina e ultrassonografia.

O tratamento mais utilizado quando o tumor é pequeno ou médio é o laser ou a braquiterapia, que consiste em aplicar radiação apenas no local do tumor. “O problema é que a radiação prejudica os vasos sanguíneos e os nervos na parte de trás do olho, muitas vezes afetando a visão”, explica Hilton Medeiros. Para tumores grandes, geralmente é preciso remover o olho afetado e colocar uma prótese.

Um outro tipo de tumor no olho, o retinoblastoma, é originário das células da retina, que é a membrana do olho sensível à luz. Na maioria dos casos, acomete crianças de até cinco anos de idade e é o sexto tipo de tumor mais comum na infância. Se for hereditário, a criança corre o risco de desenvolver o tumor nos dois olhos. O não hereditário costuma ser causado pelo desenvolvimento anormal da retina na infância e, em geral, acomete apenas um olho.

O sintoma mais comum do retinoblastoma é o reflexo pupilar branco. Quando a luz do flash da câmara bate sobre os olhos e reflete o branco na pupila, representa o reflexo da luz sobre a superfície do próprio tumor. “Ao perceber esse sintoma procure um oftalmologista para realizar os exames necessários e a verificação do problema. Os índices de cura são altos quando o diagnostico é precoce”, ressalta Hilton Medeiros.